“Cadê o professor que estava aqui?” É essa a primeira indagação da criança ou do jovem da educação básica, quando volta das férias para iniciar um novo ano letivo e não há professor ou percebe que algumas aulas estão vagas porque o quadro docente da escola encontra-se incompleto.

Ora, se o modelo de ensino formal, adotado no Brasil, é escolar e presencial, envolve, necessariamente, professor e aluno. Quando falta o aluno, não se justifica a necessidade do professor e quando a falta é do professor implica que o estado negligência na sua obrigação de garantir o direito à educação.

A falta do professor, carência de projeto pedagógico que conduza ao sucesso escolar e/ou as fragilidades na gestão do ensino respondem, quase sempre, pelos baixos indicadores educacionais. Foi exatamente assim que o RN ficou estagnado nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, quando analisada a série histórica do IDEB.

O estado potiguar fez um deslocamento positivo, pela primeira vez, na edição do IDEB de 2017, coincidindo com o ingresso de um significativo contingente de professores para o quadro efetivo, a partir do ano de 2015, e com o início das atividades a partir de programas e projetos, enfatizando o circuito de gestão com foco na aprendizagem.

Além disso, a realização de processos seletivos para cobrir as mais distintas necessidades temporárias de docentes, fez com que as escolas passassem a viver um novo tempo: o do  “graças a Deus temos todos os professores. Agora o IDEB da nossa escola vai melhorar. Eles não se saiam bem nas provas porque passavam o ano inteiro sem ter aulas de várias disciplinas.”

Não é novidade a urgência de redimensionar a rede escolar e otimizar os recursos humanos e financeiros, como também é preciso enfrentar os recorrentes apelos por transferência de um município para outro, de uma diretoria regional para outra, da escola distante para uma próxima de casa. Em nome de interesses próprios, alguns recorrem às mais exdrúxulas justificativas e até apadrinhamentos políticos.

Também não são raras certas manobras para respaldarem as “fugas” da sala de aula e da escola. Há quem entenda a escola como lugar penoso e há quem entenda que tirar professor de sala de aula é uma espécie de prêmio para ser concedido aos seus, ainda que custe as lacunas na formação dos estudantes.

É preciso muita delicadeza,quando se trata de cuidar da escola daqueles que dela dependem para vislumbrar perspectivas de equidade social.

Como garantir aprendizagem, proficiência, permanência dos estudantes na escola, respeito às unidades de ensino, dignidade… sem o professor?

10 comentários em “Cadê o professor que estava aqui?

  1. Como sempre a senhora Professa Cláudia Santa Rosa é muito competente em palavras e já nos mostrou que sabe executar muito bem o que pensa sobre o futuro da educação,lhe recomendo como ministra da educação.

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  2. Exatamente. É preciso muita delicadeza, bom senso, e acima de tudo afeto por àqueles que da Escola Pública precisam. Como garantir equidade, defender uma tese se “os meus filhos” estudam em escolas privadas com a metodologia que eu abomino na pública? A minha pequenez intelectual não me permite justificar esses dois lados de muitos profissionais do Ensino.
    Parabéns Cláudia Santa Rosa! Você mostrou que é possível. Você sabe o que faz e o que diz. Você fez renascer a esperança de uma Escola Pública de qualidade.

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  3. A professora Cláudia Santa Rosa é um divisor no ensino público no Rio Grande do Norte. Será lembrada como o “antes ” e o “depois” de sua arrojada gestão. Sua vontade de fazer a coisa certa. De acreditar na Escola Pública. Sem alarde, sem se preocupar se ser reconhecida ou não. Pra que? Ela veio para empregar o que sabe fazer, o que estudou para tal. E deu um SHOW na Educação no nosso amado e sofrido RN.

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  4. O texto coloca uma questão importante em pauta, mas deixa algumas brechas precisam ser pensadas. A saber:
    -se o estado obteve uma melhora nos índices educacionais a partir da convocação professores, bem como outros fatores, é importante que o estado do RN continue convocando os outros tantos professores que esperam ansiosamente para lecionar, que amplie as políticas públicas existentes e crie mais outros programas para melhoria da educação, visando tornar a escola pública regular atrativa para os estudantes, uma escola que ele tenha orgulho de dizer que é sua;
    -É importante contextualizar essas “fugas” dos professores em questão. Os leitores entenderão que uma boa parte dos docentes descaradamente fazem isso e assim, podem estereotipá-los como fujões. Como secretária de educação você pode problematizar as condições de trabalho e carreira que esse professor está, inclusive certa quantidade já pediu afastamento por problemas psicológicos causados pela negligência do sistema educacional e outros vivem à beira do precipício, “fugindo” para não ver e esperando sua aposentadoria, que tem um sentimento de alforria.
    -Pensando na pergunta final. Com o professor dentro de sala de aula todas as questões citadas serão resolvidas? Não, pois há toda uma complexidade em torno do docente e do sistema escolar (formação, recursos didáticos, estrutura moderna etc).
    O sistema escolar deve se tornar atrativo a todos os estudantes, eles precisam querer aprender, eles querem uma escola do tempo deles, do presente, porque nesse quesito a educação está atrasada, pois vivemos em um modelo escolar do sec XIX, boa parte dos professores formados no sec XX e a maior parte dos alunos nascidos no sec XXI. Veja o choque de gerações. A escola precisa se modernizar! Colocar esse fardo nos professores não resolverá por si só, é necessário uma reforma maior ainda. Para começar, que tal em nossos pensamentos? Em nossos corações? Em nossos tetos de vidro blindados por não ouvirmos àqueles que querem ajudar e àqueles que devem ser ajudados?
    Espero ter medido as palavras corretamente para que não se sinta atacada, pois essa não foi a intensão. Eu quis apenas mostrar “o lado de cá” para que este ambiente virtual seja uma porta de discussão aberta, inclusive para que outros professores possam contribuir de alguma maneira com sua gestão no RN. Fica meu sincero desejo de boa sorte na luta em prol da educação pelo nosso querido estado.

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    1. Fui secretária até 31 de dezembro de 2018. Trabalho na mesma escola de onde saí para ser secretária. Amo escola e sei a importância do professor. Releia o meu texto, se desejar, com um olhar despido de preconceitos e talvez entenda a defesa que faço do professor, inclusive para que ocorram convocações. Um detalhe: só não sou corporativista. Abraço fraterno.

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