Vila das Aves, arredores da Cidade do Porto, Portugal
03.10.2005, hoje é segunda-feira

Cheguei à Escola da Ponte para iniciar a pesquisa para a minha tese de doutorado em educação. Informei ao Coordenador do Projeto que estava pronta para a visita guiada e que aguardaria o momento mais conveniente. Ele disse que em alguns minutos as crianças estariam saindo para o pátio, na expectativa de poderem observar o Eclipse Anular do Sol e que a visita seria em seguida, mas eu poderia ficar a vontade para circular pelos espaços. Espaços são as grandes salas onde os alunos trabalham. Dirigi-me para o mais próximo. Era o do Núcleo de Iniciação – Transição. Ao entrar neste espaço, virando para o lado direito encontrei cerca de 28 Crianças e três Orientadores Educativos (dois homens e uma mulher), para o lado esquerdo mais três Orientadoras Educativas e 28 Crianças e em frente um espaço menor onde estava a Psicóloga. Um corredor comum e de livre acesso liga os três ambientes. Cumprimentei os Orientadores e a Psicóloga e passei a circular um pouco entre as mesas e a observar o materialismo escolar disponível nos ambientes.

Cada mesa acomoda um grupo de quatro crianças. As paredes são praticamente revestidas de murais de cortiça, além dos quadros de giz, até dois em cada ambiente e um relógio ao alto. Há armários com prateleiras externas para acomodar livros, pastas, fichários, lápis coloridos, entre outros e bancadas onde contêm bandejas com papéis em branco, rascunho, quadriculado e com pauta e formulários para a organização do Plano de Trabalho da Quinzena. No corredor que liga os ambientes, fica uma estante com ares de uma pequena biblioteca, a pia com bancada e o cesto para lixo, além de prateleiras fixadas na parede. Num ambiente do lado esquerdo há dois computadores ligados a um aparelho data show, que projeta para uma tela branca, que desce, num dos lados, quando há necessidade.

As crianças preparavam, em folhas com pautas, o Plano do Dia, uma parte era comum a todas elas e uma outra de acordo com os objetivos de cada uma, previstos no Plano da Quinzena. Observei que a parte comum a todas elas era composta por objetivos relacionados às atitudes e a observação do eclipse e as demais atividades eram diferentes nos planos de cada uma. Dois exemplos:

Exemplo do Plano do Dia da Criança A:
• Não arrastar a cadeira;
• Falar baixinho;
• Ajudar o grupo;
• Saber pedir a palavra;
• Ver o Eclipse Anular do Sol;
• Desenhar o Eclipse;
• Língua Portuguesa: Ler e interpretar a história da quinzena;
• Matemática: Efectuar o algoritmo da multiplicação por dois ou mais algarismos;
• Auto-avaliação

Exemplo do Plano do Dia da Criança B:
• Não arrastar a cadeira;
• Falar baixinho;
• Ajudar o grupo;
• Saber pedir a palavra;
• Ver o Eclipse Anular do Sol;
• Língua Portuguesa: Criar frases com palavras da história da quinzena;
• Língua Portuguesa: Iventar um texto;
• Matemática: Realizar cálculos com o algoritmo da adição e da subtração;
• Auto-avaliação

Terminada a organização dos planos, era o momento da ida ao pátio para ver o eclipse. As professoras orientaram que só deveriam olhar para o sol com os óculos apropriados ou utilizando duas folhas de papel, uma delas com um pequeno furo. Num dos quadros de giz um texto sinalizava que esse tema já vinha sendo trabalhado pelo grupo. O texto era o seguinte:

Pesquisa – Eclipse do Sol

É quando a lua se coloca entre a terra e o sol. A lua tapa o brilho do sol, provoca uma sombra na Terra e essa parte da Terra fica sem a luz.

Em alguns instantes eram vários os “kits” feitos de folhas e o pátio estava lotado. Havia um clima de solidariedade, de modo que todos pudessem observar e, para tanto, os óculos circulavam e eu também tive a oportunidade de observar. Em decorrência da hora já avançada, o intervalo começou um pouco antes, pois não adiantava muito retornar para os espaços de trabalho.

Na volta, conforme combinado, o Coordenador do Projeto convidou-me para a visita guiada e apresentou-me uma brasileira, de Petrópolis/RJ e um Português, da Cidade do Porto, que tinham acabado de chegar, além de Nuno, aluno do Núcleo de Consolidação, que seria o nosso guia. Na Ponte são as crianças que apresentam a Escola e, ao final, um dos Orientadores Educativos responde aos questionamentos que restarem, complementando informações.

[Continuo amanhã]

2 comentários em “Escola da Ponte: visita guiada por crianças (Parte 1)

    1. Fiquei quase 7 meses na Escola da Ponte, realizando a pesquisa de campo. Durante esse tempo realizei estágio doutoral vinculada à Universidade do Porto e com bolsa da Capes. Isso foi entre 2005 e 2006. Você pode fazer contato com a escola. Veja o site e a pagina no Facebook. Boa sorte!

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