Por esses dias escrevi no Twitter que as escolas não são ilhas. Elas influenciam e são influenciadas pelas mazelas da sociedade. Nenhuma novidade para quem me acompanha, porque a mesma coisa venho dizendo há muitos anos.

Se as escolas sozinhas não são salvadoras da Pátria, sem elas teremos sempre uma Pátria cambaleante, injusta, segregadora, subdesenvolvida, distante de ser educadora.

A tragédia ocorrida no último dia 13, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, no município de Suzano/SP, chocou o país, de norte a sul, e repercutiu pelo mundo. Quando vidas são ceifadas do modo como vimos, ainda mais tendo por cenário um templo da educação, não tem como não causar comoção mundial, é verdade.

As nossas juventudes precisam de colo e atenção. As escolas que educam mais de 85% dos brasileiros, são frágeis, sofríveis. O país ainda não as priorizou, efetivamente. Sobra discurso e falta determinação para torná-las dignas.

É fato que o Brasil é uma enorme “escola”, há muito tempo “reprovada”, porque acumula dívidas sociais gigantes junto à sua população. Disperso e sem foco, age, amadoristicamente, deixando um rastro de incompetência nos cuidados com as juventudes.

O espelho da grande “escola” que é o Brasil, às vistas de crianças e jovens, reflete imagens contrárias à decência, ética, moral, civilidade, conteúdos severos que minam até mesmo as chances de massificação do êxito, nas aprendizagens do currículo formal. São desvios que, anualmente, condenam milhares de jovens ao fracasso.

A “escola” Brasil, anualmente, desiste dos seus, do mesmo modo que não consegue prevenir essas juventudes dos efeitos perversos do abandono. É a “escola” Brasil que mata.

Educação não deve servir a interesses pessoais, tampouco como moeda de troca de nenhuma espécie.

A classe política, o setor produtivo, as famílias, as igrejas, os sindicatos, os poderes constituídos, a sociedade precisam proteger a escola para que ela sirva às juventudes. Enquanto isso não ocorrer, a tragédia  silenciosa segue em escala, as mortes seguem diárias, multiplicadas muitas vezes em relação à ocorrida em Suzano e que entristeceu a todos nós. Não falo no vazio, as estatísticas da violência estão aí para contar o destino que tem sido reservado a expressivo contigente de jovens do Brasil.

8 comentários em “A “escola” Brasil que mata

  1. Muito bom o texto. Infelizmente vivemos essa triste realidade. No dia em que a maioria das pessoas acreditarem no poder que a educação tem de transformar, com certeza teremos um mundo bem melhor.

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  2. Realmente o Brasil tem sido uma “escola” negligente e niglegenciada por um sistema político que não prioriza os interesses do seu povo. Povo esse que ainda resiste em tentar evoluir, mas que encontra na corrupção do “sistema”e do “ser”, inúmeras barreiras. O que me choca mais é a falta de controle instalada na sociedade , em especial nos “meninos”, que não aprendem a lidar com as emoções e fracassos.

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  3. Verdadeiramente merece uma reflexão e ação.A sociedade está passiva diante de tanto descaso dos nossos dirigentes. Precisamos unir as forças e lutar por uma educação de qualidade e digna.

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  4. O modelo de educação pública no Brasil está falido, não apenas pela falta de investimento, exite um sem-número de fatores. É lamentável como nossos jovens não tem mais interesse pelo conhecimento científico (digo de todas as áreas, das humanas as exatas). Talvez ja passou da hora de se repensar nossos métodos de ensino-aprendizagem.

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  5. Talvez seja se repensar nossos conceitos sobre educação (instrução) para tirarmos nossos alunos da letargia a que são submetidos pelo estado….

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  6. Talvez seja o momento de se repensar nossos conceitos sobre educação (instrução) para tirarmos nossos alunos da letargia a que são submetidos pelo estado….

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