No Rio Grande do Norte as aulas presenciais foram suspensas no dia 18 de março, em decorrência da pandemia do novo Coronavírus. Porém, parte das escolas ou das salas de aula da Rede Estadual de Ensino já não funcionava desde o início do mês, em virtude da greve dos professores em defesa do reajuste do Piso Salarial. Sim, sempre é possível piorar o que já estava ruim. Muito preocupante!

Antes que alguém me interprete mal, um alerta: sou a favor do distanciamento social e da vida. Os que podem deve, sim, permanecer em casa com todos os cuidados para conter a contaminação que se alastra pelo mundo. Ora, se os estudantes, professores e outros profissionais compõem um terço da população do Estado, não se discute a relevância de mantermos as escolas fechadas. Medida acertada.

Importa atentarmos: escolas fechadas não deve ser sinônimo de crianças e jovens sem rotina de estudos. As escolas particulares foram rápidas na implantação de salas virtuais e de outras propostas de trabalho remoto com os estudantes, sobretudo aquelas unidades de ensino mais bem estruturadas. Sobre as escolas públicas não podemos contar a mesma história: a maioria ficou e continua a aguardar ações governamentais mais objetivas e inclusivas, outras reclamam a falta de equipamentos e internet nas residências dos estudantes, mas há aqueles profissionais que vêm se reinventando. Eles mostram que o protagonismo, a empatia e a ética fazem a diferença em tempos de crise, basta que algumas famílias disponham de pelo menos um celular com internet, por mais modesta que seja. O fato é que, em todo estado há iniciativas exitosas sendo compartilhadas todos os dias pelas redes sociais. A lógica: se é possível acontecer aprendizagem com dois, 10, 100 ou 1.000, por que cruzar os braços e esperar a pandemia acabar?

Por entender que a internet ainda é excludente, desde o mês de março que escrevi, publiquei e venho divulgando, exaustivamente, a necessidade de se lançar mão, também, da TV e do rádio, veículos que chegam aos lugares mais longínquos, o que requer atitude do Governo do Estado, carece que gestores e técnicos arregacem as mangas para fazer acontecer. Hoje li que a Assembleia Legislativa deu um importante passo ao disponibilizar três horas da programação da sua TV para veicular conteúdos dos ensinos fundamental e médio, espero que essa ação seja bem aproveitada pelo executivo e ampliada para outros veículos, inclusive radiofônicos.

Na contramão do que acontece no RN, em outros estados brasileiros e em outros países, para minha surpresa e de muitos, na última sexta-feira, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação – SINTE/RN publicou uma nota na qual “desaconselha aulas virtuais”. Ficou parecendo que, na ausência de estratégias, ferramentas e orientações da secretaria de educação para que o estudo em casa aconteça não somente a depender da internet, o Sindicato resolveu entrar em defesa e desencorajar os professores que encontraram meios para continuar trabalhando, quando devia apoiá-los. É tão surpreendente o poder que o sindicato parece exercer na educação estadual que, recentemente, em postagem numa rede social, uma dirigente respondeu pela Governadora Fátima Bezerra, a quem eu havia indagado sobre a pertinência de formalizar uma medida que antecipasse o recesso escolar, de modo a compensar e diminuir o número de horas letivas suspensas. A sindicalista disse que é contra, não aceitaria. É, parece que é preciso o executivo refazer o fluxo.

Finalmente, garantir que os estudantes se alimentem é uma medida tão emergencial quanto aquelas que devem garantir aprendizagens. Ainda não ouvi declarações sobre a destinação que foi dada aos alimentos perecíveis que estavam nas escolas, quando as aulas foram suspensas, tampouco o que foi ou será feito dos gêneros alimentícios que estavam estocados ou com pedidos feitos aos fornecedores e com recurso em conta para pagar. Enquanto alguns conversam para agir, as famílias mais carenciadas enfrentam dias dificílimos sem o apoio nutricional que as escolas oferecem. Só os que estão próximos compreendem.

*Texto escrito dia 06 de abril de 2020, encaminhado dia 07 e publicado dia 08, no Blog de Gustavo Negreiros. Sobre a abordagem do último parágrafo, no dia em que foi publicado tomei conhecimento que a escola onde eu trabalho (e as demais, é claro!) tinha sido autorizada, pela secretaria de educação, a distribuir gêneros alimentícios que ainda estavam estocados. A diretora alertou: “não tem para todos”. No outro dia tive acesso a Nota Técnica nº 1/2020 – SEEC que disciplina a matéria.

2 comentários em “A Educação do RN também pede medidas emergenciais*

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