Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios(PNAD 2018) que foram divulgados pelo IBGE, no final do 1º semestre, revelaram tendência de crescimento do RN em todos os indicadores educacionais contemplados pelo levantamento. É necessário que respeitemos os estados que estão à nossa frente, eles começaram a trabalhar com foco nos estudantes antes de nós e conseguem ser persistentes em suas políticas educacionais. Ainda assim, enquanto a taxa de analfabetismo subiu em cinco estados brasileiros (Distrito Federal, Mato Grosso, Paraná, Amapá e Pará), no Rio Grande do Norte ela caiu para 12,9%. Embora ainda seja alta, é a 3ª taxa mais baixa da Região Nordeste. Apenas os estados da Bahia (12,7%) e de Pernambuco (11,9%) têm menos analfabetos do que o RN. Ora, se por um lado as conquistas não são tão relevantes para serem celebradas, por outro lado é necessário considerar o comportamento positivo do estado potiguar.

Importante destacar: 85% dos analfabetos potiguares têm mais de 40 anos de idade e uma parte expressiva tem mais de 60 anos, resultado da negação do direito à educação, além de uma escola seletiva e excludente que predominou até os anos 80. Com isso não pretendo afirmar que o analfabetismo que persiste decorre apenas de um resíduo do passado, porque sabemos que há debilidades nos sistemas de ensino que continuam a produzir analfabetismo. Em todo país são 11,3 milhões de analfabetos (6,8%), sendo que a região Nordeste concentra 10,3% a mais do que a Sudeste, diferença emblemática das desigualdades que assolam o país.

De acordo com a mesma PNAD 2018, o RN conseguiuaumentar as taxas de acesso à escola e à relativa aos anos de escolaridade da população. Com mais crianças e jovens na escola, e por mais tempo, aumentam as chances de conter tanto o analfabetismo absoluto quanto o funcional, especialmente se a escola tiver um projeto claro, funcionarcom seu quadro de professores completo e se eles forem assíduos, se estiverem bem preparados, valorizados e motivados e, finalmente, se houver condições apropriadas para ensinar e aprender.

Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019, o RN, em 2018, foi o estado do Nordeste que mais matriculou jovens de 18 a 24 anos no ensino superior e o 11º no país. É claro que o desafio da educação do RN é gigante: contraditoriamente, quase 60% dos potiguares ainda seguem sem concluir a educação básica. Não há mistério: as lacunas nas aprendizagens que são acumuladas, primeiro geram reprovações que se desdobram em distorção idade-série, abandono e, na sequência, evasão escolar. O jovem que chega aos 18 anos sem que esteja concluindo o ensino médio, tende a trocar a sala de aula por uma ocupação que o remunere ou simplesmente se desencanta com a condição de estudante. Urge que as escolas sejam preparadas para orientar sobre os projetos de vida dos jovens e envolvê-los para perseguirem metas e resultados. Ao mesmo tempo, é urgente que políticas públicas estimulem para que permaneçam na escola.

Estudantes de todo país acabaram de realizar a prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), cujos resultados serão conhecidos somente em meados de 2020. Junto com informações do Censo Escolar será apurado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A última edição ocorreu em 2017, quando a educação do RN – bem ou mal – subiu em todas as etapas com apenas alguns meses de trabalho direcionado para as metas do Plano Estadual de Educação. O querer de todos nós por resultados melhores conflitou com os muitos anos de estagnação da educação, com as escolas padecendo da falta do básico: professores. Como é que as crianças e os jovens podiam se sair bem, em exames que medem a proficiência, se passavam meses, um ano inteiro e até mais, sem professores de diversos componentes curriculares, especialmente de Português e Matemática?

Ações importantes foram implementadas no biênio 2017/2018 para que a educação do RN continue a avançar: implementação de 60 escolas de tempo integral, aplicando um modelo pedagógico consagrado nas 40 de ensino médio, expansão de uma para 61 unidades de ensino ofertando o ensino técnico integrado ao ensino médio (subsidiadas por estudo de demanda dos cursos, planos de cursos, projeto pedagógico institucional), parceria com instituições que garantiram a formação das equipes gestoras para implementaro circuito de gestão com foco na aprendizagem, convocação de milhares de professores para cobrirem carências das escolas, Termo de Cooperação com o Governo do Estado do Ceará para realizar formação, consultoria voltadas para o uso do material de alfabetização pelas crianças, inclusive extensivo aos municípios potiguares que também teriam direito ao material impresso com recursos do Governo Federal, que já estavam assegurados, no final de 2018. Essas são apenas algumas das várias iniciativas concretas que nos fazem acreditar que a educação do Estado do Rio Grande do Norte reunia as condições para continuar avançado. Convém refletirmos: se grandes resultados de aprendizagem não aparecem com poucos meses de trabalho, o mesmo não se pode dizer dos efeitos contrários, porque em pouco tempo é possível comprometer um trabalho com interrupções, mudanças de rumos...

Aguardemos, pois!

*Artigo publicado na Revista Acontece, edição de dezembro de 2019.

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