No dia 12 de julho estive  reunida com o secretário de estado da educação, Getúlio Marques, juntamente com uma representação da Escola Estadual de Tempo  Integral Dr. Manoel Dantas para discutir soluções relativas à falta de professores que persiste desde o mês de abril e vem comprometendo os resultados de aprendizagem na unidade de ensino.

A reunião aconteceu depois que o problema foi levado ao conhecimento da Governadora Fátima Bezerra que, imediatamente, encaminhou ao titular da pasta para as providências. Curiosamente, depois daquele dia o problema agravou-se: perdemos mais uma professora, por ato da própria gestão. Estou falando de uma Escola de onde duas professoras efetivas foram removidas com o aval do órgão central, uma delas para atuar na educação municipal de Natal e a outra para ficar fora de sala de aula, apesar de o concurso público que prestou, muito recentemente, dizer o contrário. No total há três turmas de crianças sem professoras, lembrando que até o mês de abril o quadro docente da instituição estava completo. 

A governança da educação estadual, neste momento, prioriza a comodidade do servidor e não a quem o Estado deve servir nas escolas: crianças e jovens. Se estou errada, alguém responda: Por que desarrumar as equipes das escolas? Por que remover, ceder professores sem ter outros para cobrirem as vacâncias? Sinceramente, não creio que seja a política da Governadora, de quem se espera compromisso com o bem comum.

Tudo isso é muito triste. Impossível uma escola apresentar bons resultados, contando com apenas 40% dos professores de um turno. A dívida educacional que o estado brasileiro acumula gera um estrago medonho na vida das pessoas que logo aparece nas estatísticas de analfabetismo, repetência, evasão escolar, gravidez na adolescência, população que não conclui o ensino médio, nos mapas da violência, da pobreza, etc.

Hoje iniciamos mais uma semana do mesmo jeito, sem professoras para três, das cinco turmas de crianças do turno da tarde, uma delas desde o mês de abril. É um exemplo claro de que ali não há chances de ocorrer ensino de boa nem de má qualidade porque não há relação pedagógica. Isso é muito sério, especialmente quando mestres são removidos das salas de aula por interesses menores.

Há meses o Ministério Público foi informado. A quem mais devemos recorrer para resguardar o direito à educação de tantas crianças?

Sonho com o dia em que a falta de professores nas escolas – que é o básico do básico para garantir o direito à educação – cause a mesma indignação e engajamento cívico como ocorre diante de certos pronunciamentos ou desatinos de apelo político eleitoreiro, sempre tão “comoventes”. 

4 comentários em “Direito de crianças à educação é violado

  1. Situação gravíssima!
    Estamos em Natal e enquanto componente do legislativo municipal defendendo a educação , denunciarei o quadro aqui relatado. Indispensável alertar a comissão de Educação da Assembléia Legislativa do RN!…

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  2. Lamentável, problemas tão antigos e tão novos ainda persistem,ainda estão ficando nos discursos de campanhas e a sociedade desassistida.
    É preciso aumentar essa voz!
    É preciso fazer a nossa parte!
    É preciso cobrar os direitos!
    É preciso respeitar os estudantes da rede pública e lutar pela qualidade na educação básica tão citada nos discursos políticos.
    Parabéns, por esta fazendo a sua parte ,Claudia.👏👏👏👏👏👏👏

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